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Porque o arquiteto e o engenheiro civil devem cuidar da administração de obras

Por Arq. Me. Iberê Moreira Campos e equipe


Os arquitetos vêm tendo dificuldade em estabelecer-se no mercado de trabalho, devido aos fatores que estamos enumerando aqui neste artigo. Os engenheiros civis também enfrentam problemas para se firmar na carreira, por motivos diferentes, porém igualmente reais. Mas a solução para os dois profissionais pode estar bem perto, conforme explicamos neste artigo. O arquiteto precisa apenas fazer uso de suas prerrogativas legais e abranger mais áreas do que aquelas em que atua normalmente, enquanto que o engenheiro civil precisa exercer sua vocação natural, arregaçar as mangas e enfrentar o canteiro de obras. Acompanhe:

Segundo a legislação brasileira, arquiteto e engenheiro civil têm habilitações bem parecidas. Na verdade, ambos possuem muitas coisas em comum, ao mesmo tempo em que cada um deles possui melhores habilitações para trabalhar em determinadas áreas. O engenheiro civil, por exemplo, pode fazer projetos de edificações, assim como o arquiteto. Mas é claro que o arquiteto é um profissional melhor treinado para isto, afinal, é o foco de todo seu treinamento na faculdade. Da mesma forma, segundo a lei 12.728, o arquiteto pode fazer projeto de estruturas e de instalações prediais, mas é óbvio que um engenheiro terá muito mais desenvoltura e capacitação técnica nestes dois campos, afinal, recebe um treinamento bem mais intensivo nestes assuntos.

Apesar das similaridades, arquiteto e engenheiro civil encontram, ambos, dificuldades para se firmar na carreira, principalmente naqueles primeiros anos de exercício profissional. A culpa não é do profissional em si, mas do tipo de treinamento e de enfoque que é dado na faculdade. Normalmente, o engenheiro é treinado mais em física e em matemática do que propriamente em coisas práticas, enquanto que a formação do arquiteto foca mais na questão estética e na função social do arquiteto do que propriamente em coisas práticas, como legislação, projeto de residências e administração de obras. O problema é que quando estes dois profissionais vão ao mercado, percebem que o que se espera deles não é exatamente o que viram na faculdade, e ficam desorientados procurando algo de onde possam tirar seu sustento.

A situação do arquiteto

A profissão de arquiteto é tratada na lei 12.728/2010, onde existem centenas de campos de atuação, além do tradicional trabalho como projetista de edificações. Dentre esta infinidade de áreas de atuação, a administração de obras é um campo promissor e bem mais lucrativo do que o de projeto. Aliás, o arquiteto tem muito mais facilidade de ser contratado para fazer a obra do que o engenheiro civil, uma vez que é um dos primeiros profissionais a ser contado por quem vai construir e, portanto, conhece melhor do que ninguém o que vai ser construído.

O arquiteto está tradicionalmente ligado ao desenho, à funcionalidade e à estética das edificações. Seu trabalho fica num meio termo entre o rigor construtivo da engenharia e os conceitos de beleza herdados das tradicionais escolas de belas artes, devidamente reformulados pelos teóricos do século 20, sem falar de outros aspectos técnicos que têm mais a ver com ele do que com outras especializações como o conforto térmico, circulação, ventilação, insolação e o bem-estar humano como um todo.

Infelizmente, o mercado aqui no Brasil não dá a devida importância a este profissional tão especial e importante que é o arquiteto o qual, salvo raras exceções, não consegue dar uma vida digna á sua família se tentar ganhar seu sustento restringindo-se apenas à essas atividades que lhe são normalmente atribuídas. Em outras palavras, projetar não é lá muito rentável, o dinheiro mesmo está na obra, em construir aquilo que ele mesmo ou outros colegas projetaram.

A situação do engenheiro civil

A formação do engenheiro aqui no Brasil é multifacetada, até porque a profissão do engenheiro, em si, foi sendo fatiada ao longo dos tempos. Nas primeiras décadas do século XX, quando se instituiu a profissão de engenheiro no Brasil, não havia especialização. Engenheiro era engenheiro e pronto. Com o tempo foram aparecendo as especializações, como engenharia civil, mecãnica, eletrônica, eletrotécnica, sistemas, sanitarista e por aí afora. Devido á complexidade inerente a cada um destes campos, as faculdades precisam se desdobrar para conseguir ensinar alguma coisa, mas acabam se concentrando mais em matérias mais teóricas do que propriamente práticas, que tenham a ver com o efetivo exercício da profissão. São pouquíssimos engenheiros que precisarão conhecer cálculo integral e derivadas para construir novas fórmulas e teorias, a realidade prática do mercado exige conhecimento mais objetivo e direto. Coisas como, por exemplo, calcular uma viga de concreto ao invés de deduzir como é o processo de cálculo de vigas.

Devido justamente a este conhecimento teórico de matemática e física, muitos engenheiros acabam na verdade fazendo carreira no mercado financeiro ou como executivos, alguns até aumentando sua especialização com cursos de MBA (administração de empresas) ao invés de cuidar do projeto e construção de edificações e outros assuntos pertinentes à sua área de atuação.

Em outras palavras, quando o engenheiro civil vai para o mercado de trabalho, depois de formado, encontra uma situação na realidade para a qual ele não foi devidamente treinado na faculdade. O mercado exige soluções práticas, rápidas, econômicas e realistas, mas para isto o profissional precisa ter alguns anos de prática, o que é dificultado porque sua formação, na maior parte, foi mais teórica e acadêmica do que voltado para o mercado.

As dificuldades para o arquiteto e engenheiro se firmarem na profissão

Devido justamente à essa dificuldade de conseguir estabilizar-se na profissão, depois da formatura acontece uma debandada dos recém-formados. Pela minha observação pessoal reparei que acontece mais ou menos assim: a maior parte dos que se formam acabam mudando de ramo, indo trabalhar em outras áreas mais rentáveis. Só alguns conseguem realmente atuar dentro de sua especialidade, aquilo para o que estudou e dedicou tantos anos de sua vida. Dentre estes, o que reparo é o seguinte:
  • Uma pequena minoria consegue entrar para o serviço público, nos cargos mais variados. Antigamente já foi mais fácil entrar para o serviço público, mas de uns 15 anos para cá os concursos são muito disputados e só mesmo uma elite é que consegue o tão sonhado cargo público.
  • Uma boa parte do restante, principalmente as mulheres, que precisam cuidar dos filhos, passam a encarar a arquitetura ou engenharia mais como hobby ou como complemento da renda familiar, e não mais como ocupação principal.
  • Os demais são justamente os que ficaram na carreira, porque gostam dela e porque conseguiram melhores condições de trabalho.
Principalmente neste último grupo é que acaba sendo necessário fazer uma difícil opção: trabalhar como autônomo ou arrumar um emprego fixo. Esta última possibilidade vem ficando cada vez mais restritiva, pois no mercado de trabalho o arquiteto é visto mais como um desenhista especializado do que como o grande profissional que realmente é, enquanto que o engenheiro civil é considerado um profissional caro e que requer toda uma infraestrutura de apoio, tornando acessível só às grandes empresas dar-se ao luxo de contratar um engenheiro como empregado.

Na equipe de uma construtora, por exemplo, quando esta vai construir um prédio de apartamentos o arquiteto recebe as especificações de projeto fornecidas pelo corretor de imóveis e pela incorporadora. Esta última vai dividir as tarefas entre vários profissionais, entre eles os arquitetos e engenheiros, e cada um deles é obrigado a se virar dentro dos rígidos limites impostos por estes outros profissionais, adequando suas exigências às restrições legais e aos pedidos do cliente.

Numa situação assim sobre pouco espaço para a criatividade, o arquiteto passa a trabalhar mais como um burocrata técnico que sabe lidar com o AutoCad e o Sketchup do que qualquer outra coisa. O engenheiro civil passa a ser apenas um calculista, um utilizador dos programas de calculo e desenho. Além de ser frustrante, este tipo de atividade como empregado ainda por cima paga mal – um pedreiro que trabalhe nestas construtoras e incorporadoras freqüentemente ganha mais do que o arquiteto e até mesmo mais do que o engenheiro, por isso só mesmo os recém-formados ou os felizardos que têm outras fontes de renda é que se sujeitam a este tipo de atividade.

Aos demais resta, portanto, a alternativa de trabalhar por conta, assumindo todos os riscos do mercado que valoriza, igualmente, o construtor e o corretor de imóveis, mas não o engenheiro ou o arquiteto, como deveria ser, afinal ambos são especialistas capazes de determinar a melhor forma de ocupar determinada área para que a construção atenda a tudo o que dela se espera, com economia, beleza, praticidade e conforto ambiental.

É comum as pessoas pensarem na construção apenas como um empreendimento, esquecendo-se de que aquele edifício vai abrigar seres humanos, que vão exercer suas atividades naquele espaço durante décadas a fio. Nesses prédios que são feitos às pressas, pensados apenas como obras comerciais de engenharia, é comum logo nos primeiros meses surgirem os “puxadinhos”, “reformas” e as “ampliações”, porque o projeto inicial não foi bem pensado e várias necessidades dos usuários não foram previstas e muito menos resolvidas. E isto acontece em todos os tipos de edificação, sejam elas do tipo residencial, comercial ou industrial.

Se soubessem da situação do mercado de trabalho e se pensassem apenas no dinheiro, muitos engenheiros e arquitetos não teriam entrando numa faculdade. A situação fica ainda pior para os profissionais que tiveram o azar de cursar algumas faculdades que existem por aí que prezam apenas o lado teórico em detrimento do prático, porque o mercado de trabalho acaba remunerando melhor os técnicos do que os artistas e os cientistas.

E é fácil entender os motivos. Um serviço técnico é simples de mensurar e quantificar, enquanto que um trabalho artístico ou científico pode valer de zero ao infinito, dependendo do tamanho do bolso e do interesse de quem está pagando. Além disso, uma construção pode ser feita sem nenhuma preocupação artística, política ou científica, mas precisa pelo menos de uma “plantinha de prefeitura” para acontecer, e quem faz esta “plantinha” é um profissional técnico, e não o artista.

Mas agora, uma vez que você, arquiteto ou engenheiro civil, está formado e preparado para enfrentar o duro mercado de trabalho, o jeito é lutar com todas as armas de que dispõe. E uma das alternativas mais eficientes é não se limitar apenas aos projetos ou às aprovações nos órgãos públicos, mas arregaçar as mangas e ir para o canteiro de obras, tornando-se um administrador de obras. Pense conosco:

O arquiteto e o engenheiro civil como administradores de obras



A profissão de arquiteto é definida no Brasil pela lei 12.378/2010, em seu parágrafo 2º, parágrafo 5º, especifica que os arquitetos cuidam da “direção de obras e de serviço técnico”.

A profissão de engenheiro civil foi instituída pela lei 5.194/1966 onde, em seu parágrafo 1º, item C, é dito que o engenheiro cuida de “edificações, serviços e equipamentos urbanos, rurais e regionais, nos seus aspectos técnicos e artísticos”.



Como se vê, ambas as habilitações são similares, mas execução de obras e serviços correlatos, inclusive os artísticos, fazem parte legal da atividades tanto do do arquiteto como do engenheiro civil, regulamentados por normas específicas, em especial pela resolução nº 1010 do CREA/CONFEA (de 22 de agosto de 2005) que dispõe sobre a regulamentação da atribuição de títulos profissionais, atividades, competências e caracterização do âmbito de atuação dos profissionais inseridos no Sistema Confea/Crea para efeito de fiscalização do exercício profissional. Essa fiscalização e normatização da atividade de arquiteto foi adotada em janeiro de 2012 também pelo CAU – Conselho de Arquitetura e Urbanismo – que retirou os arquitetos do sistema CREA/CONFEA e passou a cuidar da fiscalização e regulamentação da profissão de arquitetos, devido à emissão da lei 12.378/2010.

Independentemente desta parte legal, o arquiteto e o engenheiro civil podem e devem não se limitar apenas à parte de projeto e planejamento das obras. O ideal mesmo é que eles comecem a cuidar das obras em si, cuidando da sua fiscalização e/ou administração. E isso pode ser feito não apenas na construção de seus próprios projetos mas também, porque não, na construção de projetos feitos por outros arquitetos e engenheiros.

E não é só o aspecto financeiro que conta neste caso. A fiscalização ou administração das obras caem muito bem para que o arquiteto e engenheiro possam certificar-se de que a execução siga respeitando á risca o projeto, o que vai beneficiar não apenas a si mesmo mas também ao seu contratante. Analisemos estes dois aspectos:

As vantagens do arquiteto e engenheiro civil administrar obras: o aspecto financeiro

A tabela de honorários do CAU e do CREA estabelece que o profissional deve cobrar uma certa porcentagem por seus trabalhos de projeto e planejamento de obras. O grande problema é que esta tabela é apenas uma referência, contam-se nos dedos da mão os profissionais que conseguem efetivamente cobrar estes preços – e receberem. A esmagadora maioria dos profissionais, quando consegue um contrato, tem que se contentar em cobrar apenas uma pequena parcela desta tabela ideal.

Tomemos o exemplo de uma residência, um dos trabalhos mais comuns feitos pelos arquitetos e engenheiros. Quando consegue vender um projeto completo, o profissional vai cobrar algo como 5% do valor da obra. Digamos que seja uma residência de 200 m² ao custo unitário de R$ 2.000 o m², valor total da obra R$ 400.000 e o projetista (arquiteto ou engenheiro) vai receber algo como R$ 20.000 para trabalhar meses a fio naquele trabalho, arcando com despesas fixas no escritório e outras despesas como estagiários, desenhistas, projetistas, computadores, programas, aluguel, telefone, internet e muito mais. No final sobra muito pouco para suas despesas pessoais como moradia, despesas com os filhos, alimentação e serviço médico.

Nesta mesma obra, a maioria dos proprietários não se importa de pagar 15% como taxa de administração para o engenheiro que vai construir. O engenheiro vai receber, portanto, algo como R$ 60.000 no prazo de alguns meses e não vai gastar muito mais coisa do que seu tempo e das despesas com seu veículo, nada de administrar um exército de subcontratados como fazem quando estão atuando apenas como projetistas.

Outro exemplo, desta vez bem maior: determinada incorporadora adquire um terreno e para construir um edifício de apartamentos. São 25 andares com 4 apartamentos por andar, ou seja, 100 apartamentos de 70 m² de área compartilhada para cada um, resultando numa área total construída de 7.000 m² que demandarão um investimento na obra de algo como R$ 14.000.000. O escritório de que fará um projeto desses terá sorte se conseguir cobrar 2% deste valor para fazer os projetos executivos, ou seja, receberá algo entre R$ 280.000 e desse valor precisará pagar os projetos de estrutura, instalações, paisagismo e os subcontratados do projeto arquitetônico.

Ao mesmo tempo, a construtora que fiscalizará a obra não tem muita dificuldade em cobrar entre 5 a 8% do valor, ou seja, vai receber algo entre R$ 500.000 a R$ 1.100.000 que é mais ou menos a mesma coisa que vai ganhar a imobiliária que venderá os apartamentos. Ou seja, o projetista vai trabalhar tanto quanto, mas terá muito mais despesas e ganhará muito menos.

O projetista, arquiteto ou engenheiro civil, facilita a vida de todo mundo, ou seja, vai cuidar da bagunça legal das aprovações nos órgãos públicos, cuidar de todos os aspectos relativos à qualidade da edificação, vai torná-la apresentável para que então uma construtora pegar os desenhos e efetuar a construção, e depois vem um corretor engravatado ganhar muito mais do que o arquiteto. Claro que estas são as contingências do mercado, mas a pergunta que estamos querendo fazer é: porque o projetista “rói o osso” e depois deixa o filé para os outros? Porque o projetista não cuida da construção também, afinal, será muito mais fácil para ele que conhece a fundo aquela obra?

As vantagens do arquiteto ou engenheiro civil administrar uma obra: preço e qualidade da execução

Não é apenas este aspecto financeiro que nos leva a afirmar que os arquitetos e engenheiros deveriam sujar os pés de barro e fazer a obra também. Existe também a questão da responsabilidade pelo projeto e pela execução, sem falar do acabamento que o arquiteto, como especialista treinado no assunto, pode fazer melhor do que ninguém. É óbvio que existem engenheiros e empreiteiros que primam pelo capricho e bom acabamento, mas o arquiteto tem aquele “algo mais”, aquela “corzinha” no lugar certo, o “detalhezinho” diferente que dá um toque especial, coisas que, no contexto geral da edificação, farão uma grande diferença na hora da venda do imóvel ou para quando o usuário for efetivamente utilizar aqueles espaços.

Não estamos desmerecendo os outros profissionais, acontece que assim como o arquiteto nunca vai projetar um viaduto como um engenheiro civil, um engenheiro não recebe o treinamento estético e funcional oferecido pelas escolas de arquitetura. Assim, já que o arquiteto pode legalmente cuidar da administração de obras, porque não fazê-lo? E o engenheiro civil, se ele pode legalmente projetar e construir edificações porque não fazê-lo? E porque não ter o melhor dos dois mundos, ou seja, arquiteto projetando e engenheiro construindo, mas ambos trabalhando em parceria? Não seria melhor para todo mkundo?

Existe uma primeira resposta á esta questão, que é a tradição da profissão e que é passada em muitas das escolas de arquitetura, em especial aquelas que primam por desenvolver mais o lado artístico e filosófico da carreira do que seu aspecto prático. Pelo lado dos arquitetos mais antigos, muitos dos quais são professores nas escolas tradicionais, nutrem até mesmo um profundo desprezo por qualquer atividade ligada à construção, preferem ficar discutindo a filosofia do projeto e deixam a obra para um empreiteiro qualquer.

Só que este empreiteiro qualquer é que vai acabar fazendo a obra, quase sempre desrespeitando o projeto em favor de uma execução mais simples e barata, e ainda por cima é quem vai ganhar mais, juntamente com o corretor. Assim, arquitetos e engenheiros, vamos arregaçar as mangas e começar a entender também da obra!!!! Você verá que o conhecimento da parte prática das construções vai permitir não só um maior conforto na parte financeira, mas vai também facilitar as suas atividades de projeto e aumentar a clientela.

Por onde começar, se na sua faculdade não ensinaram a administrar obras?

Salvo exceções, a grande maioria das escolas de arquitetura e de engenharia não se preocupa com a parte prática da carreira, e dentre as que se preocupam são ainda menos as que ensinam práticas de administração de obras tal como deve ser visto pela ótica do arquiteto e do engenheiro civil, cada um com suas especialidades.

Mas qual é a diferença? Construção não é tudo igual? A resposta é “sim” e “não”. Existem certas coisas que não mudam, o pedreiro que assenta tijolos numa obra residencial administrada por um engenheiro é o mesmo que vai levantar paredes na construção de um hospital que está sendo administrada por um arquiteto, engenheiro ou outro profissional qualquer. A contabilidade da obra é a mesma também, trata-se apenas de relacionar as despesas de um lado e as entradas do outro. A diferença começa na hora das compras, do contato com o cliente e com os profissionais responsáveis pela execução dos diversos serviços.

O arquiteto tem fama de ser “chato” numa obra, mas a fama é injusta. O fato de alguém ser detalhista e exigir um trabalho caprichado e bem feito não significa que ele esteja errado ou querendo atrasar o serviço. Às vezes o encarregado da obra entra num conluio silencioso com determinado profissional que está executando um serviço, só para ganhar algum tempo na execução e receber antes uma verba qualquer. Um exemplo: o administrador da obra percebe que determinada parede revestida de azulejos ficou um pouco fora de prumo, mas faz de conta que não viu ou aceita assim mesmo, porque está com pressa.

Já o engenheiro civil ganhou a fama de ser mais prático e direto, além de cuidar da segurança para que o prédio não caia...

Mas é a pessoa que vai usar aquela obra que vai ter que se entender com uma porta que não consegue ficar aberta sozinha. Outro exemplo comum: o azulejista vai assentar um piso e não se preocupa em dar o caimento em direção ao ralo, como tem que ser. O administrador nem se dá ao trabalho de verificar os níveis, aceita o serviço de qualquer jeito e depois é a dona de casa que precisa secar o chão do banheiro com panos, pois a água corre ligeirinho para longe do ralo.

Um arquiteto tem um olho clínico para este tipo de defeito, e mais afinado ainda para detalhes de acabamento que os engenheiros, por sua própria formação, não se sentem na obrigação de perceber. Por exemplo, um arquiteto e, mais especialmente as arquitetas, não aceitariam uma pintura com variação na tonalidade ou um azulejo mal colocado. Nada de pias fora da altura correta ou vidros colocados de qualquer jeito. Este tipo de detalhamento está embutido na alma do arquiteto e de seus colegas que exercem funções similares, como o decorador e o paisagista.

Por outro lado, os engenheiros têm uma percepção melhor de aspectos técnicos, como o arranjo da ferragem numa forma, a movimentação no canteiro e a forma como as tubulações estão sendo utilizadas.

Bem, depois de tudo o que dissemos, se você é arquiteto ou engenheiro civil, deve estar se perguntando: “OK, eu gostaria de começar a cuidar das minhas obras, mas por onde começar?”. A administração de obras tem um lado técnico, que pode ser aprendido nas escolas, e tem outro lado que depende de prática, que precisa ser aprendida por cada um, lidando no dia-a-dia. Ajuda muito se tiver alguém para dar umas dicas, mostrar o “caminho-das-pedras”, e é isso o que eu tenho feito no meu curso de “Pequenas obras e reformas: como administrar de maneira eficiente”. Procuramos montar turmas pequenas para oferecer um atendimento personalizado, para demonstrar algumas técnicas simples mas eficientes para controlar corretamente uma obra, desde o primeiro contato com o cliente até a obtenção do “habite-se” e a entrega das chaves ao proprietário.

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Publicado em 15/12/2006 às 16:55 hs, atualizado em 13/12/2018 às 11:55 hs


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NOSSOS LEITORES JÁ FIZERAM 1 COMENTÁRIO sobre este artigo:
De: mkgbsq (em 31/01/2013 às 11:02 hs)
Concordo inteiramente com este artigo
Sou arquiteto e trabalho há muito anos no ramo. Inicialmente eu só fazia projetos, mas depois percebi que o negócio mesmo é fazer também a construção. No início eu comecei a construir para ter certeza de que o que eu tinha projeto seria realmente construído tal como eu imaginei, mas depois percebi que a construção dá muito mais dinheiro do que só fazer o projeto de arquitetura, e hoje em dia eu prefiro atender clientes que me procuram para projetar e construir. Parabéns ao autor do artigo, é isso mesmo!

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